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Resenha: Nada Acidental

  • Foto do escritor: Marcele Ferraz
    Marcele Ferraz
  • 28 de dez. de 2023
  • 2 min de leitura

Vamos de resenha?


O filme da semana é ‘Sexy por Acidente’ (‘I Feel Pretty’), de Abby Kohn e Marc Silverstein. Interpretada por Amy Schumer, a obra trata de uma mulher que, fora dos padrões de beleza, que a afetam, começa a se enxergar dentro deles após sofrer um acidente, tornando-se mais confiante e conquistando aquilo e quem antes não conseguia.

 

A mistura tinha tudo para ser um verdadeiro acidente: desde a tradução anos 1990 do título, até o mote, que me remeteu a mágicas de trocas de corpos, ilusões e filmes pastelões com Jack Black. Mas como eu estava cansada e queria ver apenas um filme que não me exigisse muito, aceitei a primeira sugestão do Prime Video e me surpreendi positivamente: não existe “apenas” em ‘Sexy por Acidente’. Pode parecer baseado em clichês, mas não tem uma trama óbvia ou tola. É um filme para se pensar. 


Renee (Amy Schumer) é apresentada como uma mulher de vida medíocre, muitas vezes invisibilizada e até maltratada por não ser uma beldade. Seu único atributo dito padrão são seus cabelos loiros, mas talvez isso não faça tanta diferença em uma trama norte-americana como faria no Brasil, de maioria negra. A personagem passa por pequenas humilhações da vida cotidiana, mas é possível ver, desde o início, que ela se acha merecedora delas; esconde-se e se diminui a cada momento, mesmo em simples conversas com companheiras mais magras e padronizadas na academia de ginástica. 


Lá, ela cai de uma bicicleta, bate a cabeça, e por motivo não explicado (o que considero um ponto negativo no filme), começa a se enxergar mais bela. Acredita que é capaz e conquista o emprego que sonha, em ambiente de cosméticos e beleza; começa a namorar um rapaz que conheceu aleatoriamente na lavanderia; participa de um concurso de garotas de biquini – e não ganha, apesar de fazer enorme sucesso com sua apresentação confiante e divertida, o que vejo como um ponto incrível da narrativa. As pessoas não mudam, quem muda é ela e sua relação com o seu corpo, sua existência. Os outros continuam vendo o que sempre viram. Quem era arrogante, ou simpático, continua o mesmo, mas Renee vira a chave e passa a agir como se fosse modelo de capa de revista. 


Essa atitude, porém, também lhe traz ônus. Renee se mostra fútil, considerando a beleza física como o único fator importante na avaliação de uma pessoa, e invisibiliza propositalmente outras mulheres fora dos padrões; abandona e destrata suas amigas, também pessoas comuns, e as perde. Mas só percebe isso quando é muito tarde e mais precisa delas. 


Vivendo em um mundo de sonho, mas com sua personalidade intacta, ela observa que as mulheres que considera perfeitas também têm suas dificuldades, inseguranças e momentos de humilhação. Contudo, precisa vivenciar um segundo acidente e voltar a se ver como sempre foi, antes de mudar a vida de outras, bem como a própria. 


Sem dar spoiler – afinal, quero que você assista ao filme –, a obra me parece consistente, diferente, atual, dinâmica e necessária, com a mensagem: “mude por dentro, e o mundo ao seu redor reconhecerá o seu valor, não a sua casca”. ‘Sexy por Acidente’ não tem nada de acidental.



poster de 'Sexy por Acidente', com Amy Schumer
Foi aos cinemas em 2018. Você ouviu falar?


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©2023 por Marcele Ferraz

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