Não é (apenas) sobre livros hot com lobisomens
- Marcele Ferraz
- 7 de jan. de 2024
- 2 min de leitura
Ontem, um papo que começou com um meme e a confissão de uma amiga sobre estar vivendo prazeres ocultos ao ler livros hot com lobisomens, acabou virando uma discussão cultural e filosófica de muitas formas. Papo de bar, sem bar e com WhatsApp.

Falamos por horas sobre livros, adaptações para o cinema ou séries, indicamos leituras, rimos da nossa existência, da minha solteirice, lembramos de projetos. Porque o bom papo, ou o bom livro, não fala apenas de um assunto. Ele flui, faz você querer saber mais, torcer para a mocinha da história ter um encontro altamente expositivo, para que a sua leitura se torne cada vez mais avassaladora e completa. Mas não é sobre as cenas hots dos livros com lobisomens - ou lenhadores, príncipes, plebeus, CEOs. É sobre os caminhos que fazem com que as histórias cheguem até lá.
Talvez seja por isso que o romance erótico venha tomando cada vez mais força e adquirindo mais fãs entre o público feminino. Não falo de mocinhas ou mocinhos indefesos, mas de personagens empoderados ou no caminho do empoderamento, que viveram grandes traumas e encontram algum tipo de redenção, pessoas vivendo em completude.
Não é meu tipo favorito de leitura, nem o dessa amiga - vamos chamá-la de Mary -, que descobriu os lobisomens hot agora e estava acostumada à chamada alta literatura, mas indiquei Brittainy C. Cherry, para que entenda que os romances hot não precisam ser altamente gráficos. Podem ser elegantes, envolventes por todo o tempo e não necessariamente um prazer oculto.
Mas, ao mesmo tempo, por que oculto? Por que a gente se sente ridícula ao assistir a filmes clichês, ou ler livros com hot mais pesado? Ridículo é ter 38 anos e se sentir ridícula ao dar um descanso para o cérebro. Ao curtir entretenimento pelo entretenimento, e não necessariamente mudar o mundo em uma tarde de sábado.
Somos cobradas demais, nós mulheres. Aprendemos o que é certo e errado segundo uma visão antiquada e machista. Sentimos a vontade de justificar pequenos prazeres, ou ocultá-los, porque a mulher simplesmente não podia ser feliz nos primórdios da humanidade, que dirá ter prazer. Qualquer tipo dele, ou se tornaria (aliás, por que no passado, se isso ainda é recorrente?) fútil, inculta, piranha, negligente com a família, relaxada, doida. Nós, mulheres, somos sempre doidas, não importa o caminho que decidamos tomar.
E, quer saber? Melhor ser doida do que viver enjaulada pelos nossos medos de desagradar o outro. Melhor sermos genuínas, descobrirmos e fazermos o que gostamos, experimentarmos a vida. Porque "todo mundo morre, mas nem todo mundo vive" (amo essa frase. Li numa pichação em um viaduto). Corre, Mary, que domingo é dia de relaxar e ler livro hot com lobisomem.
Que reflexão incrível sobre a liberdade de saborear leituras sem os pesos dos julgamentos! Concordo plenamente que, seja hot, romântico, ou qualquer estilo, ler é uma escapada necessária. O texto mostra como as mulheres são cobradas demais, e concordo que é hora de sermos genuínas, de aproveitar nossos prazeres sem medo de estereótipos. Adorei a autenticidade do texto, e já estou ansiosa por mais insights dessa autora tão sagaz!